Comida do futuro: carne de laboratório, insetos e impressora 3D

De acordo com a ONU, até 2050 haverá 9,7 bilhões de pessoas na Terra. Isso significa que a produção de alimentos terá que aumentar 70%. No caso da pecuária, isso implicaria o dobro de desmatamento e um crescimento de 77% nas emissões de gases de efeito estufa. Na agricultura haveria um aumento de 14% do consumo de água até 2030.

A indústria alimentícia já está se preparando para o desafio e uma das soluções, por exemplo, seria a carne artificial projetada em laboratórios, que possuem praticamente nenhum impacto ambiental.

Outro motivo para consumir as comidas do futuro são os alimentos geneticamente modificados. Por exemplo, é possível produzir em laboratório um pimentão com 3 vezes mais vitaminas. Ou seja, por meio da foodtech é possível modificar os nutrientes em cada alimento, assim como o sabor. Mas você verá adiante que também existem controvérsias.

Foodtech

Trata-se de indústrias que aproveitam a tecnologia de ponta para transformar a indústria alimentícia e torná-la mais moderna, eficiente e sustentável. Um exemplo é o filé de carne produzido em laboratório em 2018 a partir de células-tronco de vaca que percorreu o mundo e ganhou adeptos.

A engenharia genética irá conseguir mudar a cor, o tamanho e os nutrientes dos alimentos que conhecemos. Em Israel já foi produzido um pimentão com três vezes mais vitaminas, bananas geneticamente modificada para ficarem azuis (elas possuem mais potássio e a cor azul serve apenas para atrair consumidores), na Inglaterra já foi produzido tomates com o dobro de antioxidantes para ajudar na prevenção do câncer e na América do Sul, uma empresa planeja produzir maionese, sorvete e leite de base vegetal sem insumo de animais.

Atualmente estes tipos de alimentos são pouco comuns, caros e difíceis de serem encontrados. A tendência é que se popularizem no futuro.

Apesar dos aparentes benefícios da foodtech, há pessoas que acreditam em alguns pontos negativos. Muitas são as questões sociais, técnicas e éticas sobre a carne produzida em laboratório.Além disso, a aceitação do consumidor está associada a fatores morais e éticos mais amplos, que muitas vezes envolvem convicções políticas, culturais e até mesmo religiosas.

Alguns pontos negativos seriam reações alérgicas ou até mesmo o desenvolvimento de cânceres.

Impressoras 3D

A impressora 3D é capaz de fabricar alimentos em casa a partir de ingredientes frescos processados antes da impressão. Por meio dela podem ser produzidos macarrão, hamburgueres de carne ou vegetal, nuggets, quiche, pizzas, biscoitos, brownies e muito mais. Os chocolates podem inclusive receber formatos especiais como coelhinhos e corações. Falando sobre saúde, também é possível produzir gomas com nutrientes escolhidos pelo usuário.

Além disso, o tempo de preparo é mais rápido do que uma comida cozinhada convencionalmente. Outros benefícios são o menor desperdício de alimentos e a possibilidade de controlar a quantidade de temperos, sal e açúcar que o usuário deseja consumir.

Por meio desta tecnologia é possível produzir diversas formas, texturas e sabores diferentes. O único esforço necessário é o preparo dos ingredientes. Em algumas máquinas será possível adicionar cápsulas com os ingredientes, de forma parecida às máquinas de café expresso.

Um exemplo de alimento que é possível ser produzido pela impressora 3D é a pizza. Basta selecionar por um aplicativo o tamanho, massa, molho e queijo e o robô começa o trabalho. Podendo fabricar uma pizza em casa evita-se o consumo de embalagens e conservantes. No caso da carne feita por impressora 3D, já foi realizado um experimento em que os participantes preferiram este em comparação com carne feita da forma convencional.

As impressoras serão conectadas com um óculos que pode medir a dosagem de diversas substância no sangue do usuário, como o nível de açúcar e assim “cozinhar” uma refeição própria para a pessoa.

Mas não é apenas em casa que a impressora 3D promete ser tendência. Nos restaurantes e nas fábricas elas também prometem ser muito eficientes. Um exemplo é a rede de fast food KFC, que já planeja produzir nuggets desta maneira.

Carne artificial

Tendo em vista o aumento da população, a britânica Morgaine Gaye, especialista em tendências do mercado de alimentos, afirma que não haverá carne o suficiente para toda a população, e os bifes como conhecemos hoje serão caros e raros. A solução seria a carne produzida em laboratórios. De quebra essas alternativas ainda preservam o bem estar dos animais.

Algumas alternativas já até existem. Um exemplo é um composto de ervilhas que depois de processado fica muito parecido com um pedaço de carne. Com a vantagem de não ter colesterol, gordura saturada e hormônios ministrados aos animais. O resultado é tão semelhante à carne de frango que já enganou muitos consumidores submetidos a testes cegos.

São diversas “receitas” diferentes sobre produção de carne em laboratório. Uma muito conhecida se chama In Vitro, conhecida por seu aspecto parecido com uma gelatina. Seus benefícios são: demanda entre 35% e 60% menos energia para ser produzida, os laboratórios só usariam 99% a menos das terras usadas por fazendas e emitiriam 90% menos gases de efeito estufa.

Outro benefício é a redução da produção de alimentos para os animais como a soja, que tem diversos impactos ambientais. A situação é super importante no contexto brasileiro, uma vez que somos os maiores exportadores de carne bovina do mundo. Especialistas dizem que no futuro será possível produzir filés, lombos e até asas de frango em laboratório.

Assim como as frutas e legumes que por meio do movimento foodtech podem ter seus nutrientes manipulados, a carne também pode ser modificada. Os níveis de gordura e colesterol podem ser controlados, além disso a carne também pode ser fortificada com vitaminas e minerais.

Além dos benefícios para o meio ambiente, também será possível produzir carne de forma muito mais rápida. Uma tonelada do alimento levará duas semanas para ser produzida, enquanto que um boi demora 2 anos até o abate.

Insetos, a proteína do futuro?

Besouros, formigas e gafanhotos são importantes fontes de proteínas (proporcionalmente possuem quase o dobro de bois) e nutrientes de alta qualidade. Isso significa que diante do problema da carne, que não será possível produzir para toda a população, uma das possíveis alternativas são os insetos, já que são fontes de proteínas.

Você já pode comprar macarrão e barras feitas de farinha de grilo para adicionar uma proteína extra às suas refeições.

Outra vantagem é que quase não é necessário meios técnicos ou grandes investimentos para criá-los, ou seja, são de fácil criação. Existem cerca de 900 espécies comestíveis.

Pessoas que já experimentaram a farinha de grilo disseram ser saborosa. Quem já provou gafanhotos diz que parece com camarão crocante – e até mais gostoso do que este. Fabricantes também já planejam barrinhas de cereais a base de insetos.

São diversas empresas, start ups e instituições de pesquisa que vêm desenvolvendo produtos e técnicas de processamento com insetos. Elas se mostram confiantes no desenvolvimento e na aceitação desta cultura alimentar pela população, e inclusive fazem uma analogia às dietas veganas, que até pouco tempo eram desconhecidas mas vem ganhando muitos adeptos recentemente.

Vale a pena ressaltar que não basta sair comendo os insetos que aparecem no seu jardim. Além do inseto ser proveniente de criadores responsáveis, também é essencial o preparo adequado antes de comer.

E vale lembrar que os insetos já fazem parte do cardápio de diversos países como Tailândia, Japão e alguns países da África.

Suplementação vai dominar?

Há quem diga que os restaurantes vão acabar, mas outras pessoas acreditam que as pessoas frequentarão pela experiência. Por exemplo, atualmente existem diversas formas de assistir a filmes, mas as pessoas continuam frequentando as salas de cinema pela experiência.

Como será sua cozinha?

A frigideira irá mandar mensagens no seu celular dizendo a hora para abaixar ou aumentar o fogo. O forno também enviará mensagens dizendo quando o alimento está pronto.

Basta informar ao fogão o que comerá no dia seguinte e ele encomenda os ingredientes no supermercado mais próximo, tudo a tempo de ficar pronta sua refeição no dia seguinte.

A foodtech, como ja foi abordada, também promete inovações para os restaurantes e modelos de entrega. Garçons e cozinheiros serão robôs e as entregas serão feitas de drone.

Sobre embalagens

O avanço da tecnologia também pode proporcionar embalagens mais sustentáveis. Um exemplo muito bacana são as garrafas de água feita com algas, assim elas podem ser ingeridas depois de beber o líquido. E as embalagens de algas são mais baratas do que as de plástico inclusive.

Referências

iberdrola.com/compromisso-social/alimentos-do-futuro

veja.abril.com.br/ciencia/a-comida-do-futuro/

diarioverde.com.br/como-sera-a-comida-do-futuro/

incrivel.club/admiracao-curiosidades/surpreenda-se-com-10-futuros-alimentos-de-alta-tecnologia-455210/

gizmodo.uol.com.br/comidas-do-futuro/

iberdrola.com/inovacao/foodtech

profissaobiotec.com.br/producao-de-alimentos-por-impressao-3d/

gepea.com.br/impressora-3d/

techtudo.com.br/listas/2018/10/impressora-3d-de-comida-conheca-modelos-que-criam-alimentos-de-verdade.ghtml

3dfila.com.br/impressora-3d-para-alimentos-inicio-de-uma-revolucao/

foodconnection.com.br/especialistas/impressao-3d-de-alimentos-ja-faz-parte-dos-seus-esforcos-de-pd

canaltech.com.br/inovacao/robo-autonomo-imprime-e-cozinha-alimentos-em-3d-como-se-fosse-um-chef-de-verdade-196367/

wishbox.net.br/blog/impressora-3d-que-produz-alimentos/

ecycle.com.br/carne-de-laboratorio/

vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/insetos-na-alimentacao-eles-podem-ser-comida-do-futuro-e-ajudar-a-reduzir-a-fome-no-mundo.htm

em.com.br/app/noticia/bem-viver/2021/02/14/interna_bem_viver,1236859/insetos-o-superalimento-do-futuro.shtml

Matheus Chiabi
Autor:
Matheus Chiabi
Sobre:
Matheus Chiabi, 28 anos, formado em publicidade. Gosta de escrever, fotografia, futebol e cerveja.
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