A utilização de resíduos orgânicos na produção de corantes para fibras e tecidos

A sustentabilidade está atrelada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usufruindo de recursos naturais de forma inteligente. Ressignificar processos é importante para obtermos equilíbrio entre satisfazer nossas necessidades e viver bem dentro dos limites planetários. Assim, a reflexão sobre o descarte de resíduos orgânicos promove o despertar de metodologias conscientes e uma delas é a utilização de corantes naturais para o tingimento de roupas.

Utilização de cascas de cebola amarela no tingimento

CORANTES NATURAIS

As cascas, as ramas, os caroços de diversas frutas e vegetais que sobram nas refeições podem ter diversas utilidades, uma delas, pouco tratada, é a sua serventia na fabricação de corantes para fibras, tecidos e roupas. Além do incentivo à sustentabilidade, a utilização dos corantes naturais engloba aspectos sociais, culturais, ambientais e econômicos.

Peças tingidas por corantes naturais 

OS PROCESSOS DE TINGIMENTO

Existem processos sintéticos e naturais no tingimento de tecidos, cada qual impacta o meio ambiente de formas diferente.

Processo Sintético: é um processo que utiliza metais considerados pesados, que por sua constituição agride as águas do planeta. Um dos maiores responsáveis por essa poluição é a indústria têxtil, pois com seu descarte de resíduos de processos de tingimento não tratados adequadamente contribuem, em muito, para essa agressão. A descoberta de corantes sintéticos se deu na metade do século XIX.  Segundo o site modefica, na entrevista com Maibe Maroccolo, criadora do projeto Mattricaria, (2018, on-line) “O sintético é rico em metais pesados e a indústria da moda é uma das maiores responsáveis pela poluição das águas do planeta por meio, também, do descarte de resíduos de processos de tingimento não devidamente tratados. ”

Processo com corante natural: O processo com a utilização do corante natural tem história e tradição, porque o tingimento utilizando plantas, cascas e insetos foi traçado como tendo mais 5 mil anos, é um processo que “ nos reconecta com a natureza, valorizando a biodiversidade e minimizando o impacto no meio ambiente”, explica Maibe (2018, on-line). Os corantes sintéticos e naturais são incomparáveis, porque produzem cores vibrantes e permanentes.

SLOW FASHION: O QUE É?

Quando refletimos sobre descartes de resíduos orgânicos, involuntariamente nos conectamos com o conceito de slow fashion. Entendemos como uma visão de processos de produção mais transparente, no qual a conexão entre produtores e consumidores é mais direta, pois não há muitas etapas intercessoras.  O estreitamento de vínculo entre os executores da cadeia, incentiva a fabricação de produtos com qualidade e aumenta o prestígio dos produtores. Além da produção valorizar recursos locais, o conceito também está preocupado em desenvolver preços justos que incorporem custos sociais e ecológicos durante a produção. A qualidade dos produtos evita o descarte intenso de peças e reduz o consumo em massa.

Com esse movimento há um incentivo para a formação de cooperativas que irão promover a colaboração entre seus agentes, no caso a área têxtil, proporcionando um comércio mais justo. Fato este que para as mulheres é muito bom, já que formam um contingente significativo nesse ramo.

ARTESÃS BRASILEIRAS QUE COLOREM NATURALMENTE

Maibe Maroccolo

A brasiliense, Maibe Maroccolo, iniciadora do projeto Mattricaria, marca que desenvolve produtos tingidos com pigmentos naturais, visa comunicar a necessidade de modificar a maneira como produzimos e consumimos. “Para mim, aprender com o nosso passado, envolvendo técnicas sustentáveis, é fundamental para preservação do nosso planeta. ” (On-line,2018)

 

Tatiana Polo (Foto Alexandre Disaro / Editora Globo)

Tatiana Polo

Natural de São Paulo, a arquiteta é encantada pela arte têxtil e suas referências familiares contribuíram nos estudos e incentivaram a utilização de procedimentos naturais. Inspirada nos traços indígenas e na cultura oriental, a artesã também utiliza impressão com plantas, técnicas de oxidação e shibori. “ Trabalho com técnicas que são muito antigas, mas naturalmente acabo agregando minha leitura do dia a dia, que é mais contemporânea. ” (On-line, 2018)

 

Leka Oliveira (Foto Mayra Azzi / Editora Globo)

Leka Oliveira

Nascida em Belo Horizonte, a designer têxtil Leka Oliveira trabalha com a arte do tingimento natural há 12 anos. A artesã sentia a necessidade de trabalhar com o tingimento natural, com a reutilização de fios e com a criação de produtos biodegradáveis. No ano de 2007, deu início ao atelier etno botânica para criar seus produtos. “Por trás de cada peça tingida artesanalmente prevalece o comércio justo e sustentável que valoriza o pequeno produtor. ” (On-line,2018)2

FINALIZANDO

Sendo assim, quando repensamos hábitos e simplificamos nossas ações, diversas áreas interligadas sofrem as mudanças das nossas escolhas. Para tanto, fica claro que ressignificar o processo de separação de resíduos é importante, pois mudanças significativas no mundo começariam por esta ação e com isso haverá um futuro com empatia e responsabilidade socioambiental. A simplicidade é um estilo de vida calmo para o enfrentamento de um planeta agitado com a possibilidade de vivermos em equilíbrio.

REFERÊNCIAS:

 

Sâmia Cernohovski
Autor:
Sâmia Cernohovski
Sobre:
Sâmia Cernohovski Tavares, 26 anos, amante da natureza e da vida. Alma de artista e administradora por formação, o envolvimento com as artes plásticas e a prática da dança aérea proporcionam uma imaginação livre e solta para observar o universo. E assim, de uma forma ou outra, resgatar a consciência pelo natural.
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