Ilha de lixo no pacífico: saiba os impactos ambientais

Talvez não seja novidade para você que o plástico está muito presente nos oceanos causando a morte de animais, por exemplo. O que pode ser novidade é que existem enormes ilhas de plástico concentradas em pontos específicos do oceano. Quais são seus impactos? Como funcionam? O que pode ser feito para combater? Confira neste texto.

Como funcionam?

As ilhas de plástico são formadas pela ação dos ventos e das correntes marítimas rotativas, que funcionam como redemoinhos, e que concentram os ítens de plástico em regiões específicas do oceano. Este material fica aprisionado nos giros oceânicos, formando as ilhas de plástico.

O que pode ser encontrado nelas? São diversos tipos de lixo, mas a maioria são resíduos de plástico, além de muitas redes de pesca. Basicamente as ilhas são compostas de desde microplástico até garrafas, tampas, brinquedos, sacolas, etc. A maior parte dos plásticos demora 450 anos para se decompor de forma natural e completa, mas nesse texto você verá que os problemas desse fenômeno vão além disso.

As imagens são impressionantes. Mais impressionante ainda é o fato que a quantidade de lixo que pode ser vista a olho nu, ou seja, aquilo que está flutuando no mar, representa apenas 15% do total de lixo nos oceanos. Os outros 85% estão submersos! Este fato também acaba dificultando a limpeza dos oceanos.

Como resultado de mais de seis décadas de descarga de lixos nos oceanos, atualmente existem 5 grandes ilhas de plástico no planeta: duas no Oceano Atlântico, duas no Oceano Pacífico e uma no Oceano Índico.

Grande Mancha de Lixo do Pacífico

Esta ilha de plástico é a mais famosa por suas dimensões – é maior do que o Alasca! Segundo a revista Scientific Report, existem nela mais de 1,8 trilhões de peças de plástico, o que equivale a 90 mil toneladas ou 500 jatos jumbo.

E 94% do lixo é composto de microplástico, o que dificulta a sua remoção. Os outros 6% são compostos de resíduos maiores de 5 centímetros que são mais volumosos e vistos a olho nu, que representam a maior parte das 80 mil toneladas de lixo encontradas no local. A má notícia é que pesquisas apontam que a poluição neste local não para de crescer ano após ano…

As evidências científicas indicam que a maior parte dos resíduos encontrados na Grande Mancha de Lixo do Pacífico são provenientes do Japão e da China. Isso foi descoberto pois a maior parte do lixo encontrado possuía dizeres nas línguas chinesa e japonesa.

Agora uma curiosidade. Esta ilha de lixo foi descoberta em 1977 quando o capitão e oceanógrafo Charles Moore voltava de uma viagem no oceano e se deparou com a enorme ilha de lixo, que demorou 7 dias para atravessá-la!

Graves impactos

As peças de plástico que vão parar nos oceanos acabam se degradando em partículas menores devido a ações naturais, como exposição ao sol, vento, colisões com pedras, etc.

Uma vez transformadas em pequenas partículas, muitos animais, como tartarugas, baleias e peixes se confundem com alimento e acabam morrendo pela ingestão – o que afeta todo o ecossistema marinho. O microplástico inclusive é consumido por plânctons e fitoplânctons, os quais constituem a base de toda a cadeia alimentar da vida marinha. Estima-se que mais de 1 milhão de animais morram por ano devido a estas circunstâncias!

E pelo fato das partículas de plástico conterem substâncias tóxicas, quando não morrem os animais acabam se infectando.Quem também acaba se dando mal nessa história são os humanos que se alimentam dos peixes infectados no final da cadeia. Algumas doenças que podem ser desencadeadas nesse processo são câncer, problemas no sistema imunológico e defeitos congênitos.

A morte e contaminação dos peixes também acabam afetando a vida dos pescadores de determinadas regiões do globo.

O que pode ser feito?

Podemos começar utilizando menos plástico em nossas vidas. Algumas atitudes são bem simples como recusar sacolinhas plásticas em mercados e farmácias! Caso não seja possível recusar, como por exemplo ao comprar alimentos e produtos embalados, tente destinar à reciclagem ou reaproveitar o material.

Outra ideia muito legal é participar de mutirões de limpezas de praias, e que tal levar as crianças?

O projeto Ocean Voyage Institute removeu 170 de redes de pesca e plástico no Giro do Pacífico Norte!

Você também pode ajudar a disseminar informações a respeito das ilhas de plástico, como por exemplo repassando este texto para amigos! A consciência do problema é o ponto de partida.

Temos uma verdadeira missão pela frente, pois se trata de um problema em larga escala, esta requer pesquisa científica, ação política e cooperação internacional.

Ocean CleanUp: uma possível solução

Esta empresa desenvolveu uma tecnologia capaz de limpar as águas da ilha de lixo do pacífico de forma muito mais eficiente do que as tecnologias tradicionais. A equipe prevê a possibilidade de remover 90% do plástico da região até 2040.

O projeto utiliza as forças naturais do oceano para concentrar e capturar passivamente o plástico (inclusive o microplástico) acumulado no Pacífico. A ideia é retornar esse plástico a terra e depois destinar à reciclagem. Mas a empresa ainda está em fase de testes. Sua experiência mais recente, chamada System 002, realizada em setembro de 2021, capturou 3,8 toneladas de lixo coletado.

A empresa tem sede na Holanda e conta com 120 engenheiros, pesquisadores, cientistas, etc.

Futuro assustador

Segundo o relatório feito em 2016 pelo Fórum Econômico Mundial, estima-se que até 2050 a massa de lixo marinho seja igual ou maior do que toda a massa de peixes existentes no oceano.

Referências

portalsustentabilidade.com/2020/10/19/ilhas-de-plastico-se-formando-nos-oceanos/

mafiadomergulho.com.br/como-se-formam-as-ilhas-de-plastico-no-oceano/

euroambiental.eco.br/ilhas-de-lixo-no-oceano/

batepapocomnetuno.com/post/ilhas-de-plástico

blog.brkambiental.com.br/ilhas-de-plastico/

canaltech.com.br/meio-ambiente/lixo-no-mar-como-se-formam-as-ilhas-de-plastico-no-oceano-210213/

iberdrola.com/sustentabilidade/ilha-de-lixo-pacifico-setimo-continente

escolaverde.org/site/?p=71221

inovasocial.com.br/solucoes-de-impacto/ocean-cleanup-teste-final-system-002/

Matheus Chiabi
Autor:
Matheus Chiabi
Sobre:
Matheus Chiabi, 27 anos, formado em publicidade. Gosta de escrever, fotografia, futebol e cerveja.
Mais artigos de: Matheus Chiabi

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