Risco de extinção: Boto-cor-de-rosa

Sobre os botos

É o maior golfinho de água doce do mundo com cerca de 2,50 m de comprimento e 160 kg,

É um animal icônico da região norte do Brasil, possuindo todo um folclore e conhecido por ter um temperamento dócil.

Eles se espalham pelas águas do Brasil, da Bolívia, da Venezuela, da Colômbia, do Equador e do Peru.

Motivos da extinção

São diversas ameaças. A construção de hidrelétricas, a matança ds botos para serem usados como iscas para a pesca da espécie piracatinga (estima-se que 600 botos são mortos por ano no Brasil para serem usados como isca), a exploração do petróleo, a circulação de barcos e turistas, a poluição das águas e a contaminação por mercúrio.

Como ele é um predador de topo de cadeia, a presença de poluentes, como metais pesados e outros agrotóxicos, se acumula na água e faz com que o boto seja um bioacumulador.

Devido à sua cor rosada, o mamífero desperta também o interesse de pessoas pelo mundo, fazendo com que existam espécies vivendo em cativeiro em países como Estados Unidos e Venezuela.

Pelo fato do boto-cor-de-rosa se reproduzir muito lentamente, caso haja uma remoção muito grande deles não há espaço de tempo para a reposição dos seres.

Sobre a pesca da piracatinga

Os botos-cor-de-rosa são usados como isca para a pesca da piracatinga, um peixe típico da regiào da Amazônia. O motivo é que a carne dele é bastante gordurosa e tem cheiro forte, o que atrai a piracatinga,

A atividade é realizada em uma época em que é proibida a pesca de outras espécies. Mesmo com uma baixa remuneração (os pescadores vendem o quilo por 1 real para os frigoríficos) estas pessoas ainda optam por pescar a piracatinga.

A carne de um boto pode render a captura de uma tonelada do peixe.

Depois de muitas tentativas, pesquisadores conseguiram provar que restos de carne de boto foram encontrados no estômago das piracatingas vendidas.

Com as provas reunidas, em 2019 ministros da pesca e do meio ambiente assinaram uma moratória para proibir a pesca da piracatinga nos próximos 5 anos, até que se ache uma alternativa a isca. A partir daí a pesca do animal foi proibida no Brasil.

Tendo em vista que boa parte da pesca da piracatinga é contrabandeada para a Colômbia, não podiamos deixar de falar que a pesca também foi proibida neste país em 2017. E não é apenas devido a relação com o boto-cor-de-rosa, outro motivo é a presença de mercúrio na piracatinga.

Apesar das leis e da redução do impacto, infelizmente a pesca da piracatinga ainda acontece no Brasil, assim também como o contrabando para a Colômbia, local aonde a venda do peixe é mais valorizada.

O problema das hidrelétricas

Existem planos para a construção de mais hidrelétricas na Amazônia até 2029. Assim, dá para se ter uma ideia do que pode vir a acontecer com os botos, uma vez que usinas existentes atualmente fragmentaram o habitat dos animais. Uma populaçào de 50 a 100 indivíduos ficaram confinados entre as duas grandes barragens, logo condenados a adoecer e possivelmente desaparecer por conta do empobrecimento genético.

Infecção por mercúrio

Tanto os peixes quanto os botos são contaminados pelo mercúrio, usado na mineração para extrair ouro do solo e das rochas.

Situação de risco

Em algumas regiões a perda na população dos botos já chega a 50%. No ritmo atual a população da espécie diminui 50% a cada 10 anos. Para um futuro mais distante, estima-se que haverá redução de 95% dos botos em 50 anos.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) ainda não classifica o boto-cor-de-rosa como ameaçado de extinção por ser uma espécie da qual se tem “dados insuficientes”, mas as autoridades brasileiras o classificam como “vulnerável”.

Se não forem adotadas medidas, pode ter o mesmo destino do “baiji”, o golfinho chinês de águas doces que foi declarado extinto em 2007.

Ferramentas de preservação

Atualmente existem projetos científicos para estudar a extinção dos botos e desenvolver ações de preservação. Assim é possível identificar se o número de botos está crescendo, diminuindo ou permanecendo estável.

Desde 2015 os pesquisadores contam com a ajuda de drones para complementar a contagem dos botos. Assim também é possível monitorar áreas em que as grandes embarcações não conseguem ter acesso. Inclusive é mais barato e eficiente do que fazer observações a barco.

A inteligência artificial usada no monitoramento dos botos possui suporte de universidades britânicas.

Para entender melhor como os animais circulam pela região, desde 2017 tem sido instalados chips nas nadadeiras dos botos, capazes de fornecer informações em tempo real via satélite sobre a localização do animal. Até o momento, 30 botos monitorados mostram preferência por habitat mais conservados, especialmente unidades de conservação.

Um pouco de folclore

Você sabia que existe uma lenda que diz que durante as festividades do mês de junho, o boto-cor-de-rosa vira um homem bonito que seduz as mulheres das comunidades ribeirinhas? A lenda diz que ele veste roupas brancas e chapéu. O animal se deita com uma mulher, que engravida e tem um filho sem pai, já que o boto volta para a água aonde vira peixe novamente.

Conclusão

Fernando Trujillo, diretor científico da fundação Omacha, ONG com sede na Colômbia especializada na proteção de botos, afirma: “Por muitas razões, essa é uma espécie que precisamos conservar e salvar. Vivos, os botos podem gerar mais dinheiro para as comunidades locais, com o ecoturismo, do que mortos.”

Referências

wwf.org.br/participe/adote_boto/

marsemfim.com.br/matanca-do-boto-cor-de-rosa/

exame.com/brasil/usado-como-isca-boto-cor-de-rosa-sofre-risco-de-extincao/

umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2021/12/27/boto-cor-de-rosa-conheca-a-especie-que-e-uma-lenda-da-amazonia.ghtml

ecycle.com.br/todos-os-botos-estao-ameaasados-de-extinasao-boto-tucuxi-completou-a-lista/

brasil.mongabay.com/2020/07/boto-cor-de-rosa-ganha-folego-com-prorrogacao-da-moratoria-de-pesca/

Matheus Chiabi
Autor:
Matheus Chiabi
Sobre:
Matheus Chiabi, 28 anos, formado em publicidade. Gosta de escrever, fotografia, futebol e cerveja.
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1 Comment

  1. Excelente matéria do Matheus, como sempre.
    Muito interessante a divulgação de informações cruciais para a preservação da vida!

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