Saiba porque se tornar vegano é a melhor maneira de salvar o planeta

O que é veganismo?

Pessoas veganas não comem nenhum alimento animal, nem de origem animal. Assim sendo, além de carne, também não consomem ovos, leite e mel, por exemplo. Mas a filosofia ainda vai além disso. Os veganos evitam consumir cosméticos e produtos de limpeza testados em animais e usar roupas com matéria-prima animal.

Neste texto, você verá que a ideia não é apenas evitar atos de crueldade com animais, mas também mitigar o aquecimento global, proteger o meio ambiente e o futuro da humanidade

A importância do veganismo

Adotar uma dieta vegana é uma das atitudes mais sustentáveis que existem. Muitos especialistas afirmam inclusive que é mais sustentável do que deixar de viajar de avião ou então adquirir um carro elétrico.

Ao longo do texto você conhecerá os diversos impactos ambientais causados pela pecuária, Porém, já podemos adiantar que com a expectativa de crescimento da população mundial nos próximos anos será insustentável continuar produzindo a carne no ritmo atual. Para suprir essa demanda seria necessário mais desmatamento e maior consumo de água, por exemplo. Assim sendo, o veganismo é uma forte solução para o problema.

Uma dieta à base de vegetal é capaz de reduzir as emissões de carbono em 50%.

A carne é mesmo necessária?

Cientistas de Oxford desmentiram a ideia de que a carne deve continuar sendo consumida pelo fato de possuírem um alto valor nutricional. Carnes e laticínios geram apenas 18% de todas as calorias consumidas no planeta e dão 37% de toda a proteína que precisamos. Em contrapartida, a produção da carne usa 83% de toda área cultivável.

Efeito estufa

A pecuária é responsável por 15% de todas as emissões de gases de efeito estufa, superando até mesmo as emissões causadas por transporte. Isto acontece pois o gado emite gás metano por meio do processo de digestão, além do fato das queimadas para criação de áreas para pastagens também emitem gases de efeito estufa. As árvores naturalmente retiram o gás carbônico do ar e transformam em oxigênio, logo isso é outra consequência negativa do desmatamento.

Para reduzir as emissões destes gases, uma medida que poderia funcionar bem é a redução do tempo do abate dos bois, ou seja, ao invés de matar o boi após 4 anos de vida, fazer isso após 3 anos, pois assim seria “economizado” um ano de emissões de gás metano. Outra medida seria incluir aditivos para a ração que reduzem a fermentação entérica, atuando como inibidores de nitrificação. Ou seja, alterar o alimento do gado para que ele não emita gases pela digestão.

Considerando as emissões diretas e indiretas, incluindo o desmatamento, a agropecuária respondeu por cerca de 73% das emissões em 2020 no Brasil.

Desperdício de água

Você sabia que a agropecuária consome 70% da água disponível? E caso esse número fosse reduzido em 10% seria possível abastecer o dobro da população mundial.

O que acontece é que além de água ingerida pelos animais, também há um enorme consumo deste recurso para irrigação de plantios de soja e milho, por exemplo, que são usadas para alimentar os animais.

Os veganos poupam 2250 litros de água por dia! Para se ter uma base de comparação, um banho de 15 minutos, por exemplo, gasta 135 litros. Outro número alarmante é que para produzir 1kg de carne bovina são gastos 15 mil litros de água. Em contrapartida, para produzir 1 quilo de trigo são necessários apenas 150 litros.

Uso de terras e desmatamento

Os números são preocupantes: 75% das terras agricultáveis do planeta são usadas para pastagem e produção de ração para a pecuária. Muitas dessas áreas são formadas pela queimadas de matas nativas. No Brasil, segundo a ONU, mais de 80% do desmatamento entre 1990 e 2005 foi provocado pelo consumo de carne.

Para sustentar cada humano vegano é necessário de 12 a 30 vezes menos terra do que é necessário para sustentar um indivíduo que baseia sua alimentação em carnes.

Sem a produção de carnes e laticínios o uso global de terras para alimentar toda a população do mundo poderia ser reduzido em mais de 75%. Essas terras equivalem a uma área do tamanho dos países China, Estados Unidos e Austrália somados a toda a União Europeia.

Outra consequência do desmatamento é a extinção de diversas espécies, que tendem a desaparecer devido a perda de habitat e escassez de alimentos. O desmatamento é o principal fator que leva à extinção dos animais.

No caso dos peixes, a indústria da pesca retira muito mais animais do que a natureza é capaz de repor naturalmente, o que gera desequilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Grãos para alimentar animais

 

Produção de soja

Estima-se que mais da metade dos grãos produzidos no mundo, como é o caso da soja e do milho, são voltados para alimentar o gado, o que implica consumo de água e energia, dentre outros impactos. Caso os grãos e plantas dessa indústria fossem voltados para alimentar os humanos, seria possível acabar com a fome no mundo!

Vacas, porcos e galinhas consomem muito mais alimento do que produzem. Explicando melhor, em média um animal consome 10 mil calorias e produz apenas mil sob a forma de carne – um desperdício de 90% do alimento consumido.

Outro problema dos grãos voltados para a alimentação dos animais é que na maioria dos casos são cultivados sob o sistema de monocultura. Assim sendo, costuma-se fazer o uso de agrotóxicos que poluem o ambiente.

Sofrimento animal

Os veganos apoiam a teoria de que os animais possuem sentimentos e sentem dor como os humanos. Assim sendo, não merecem nenhum tipo de abuso físico ou psicológico. O veganismo não é apenas contra a morte dos animais, mas também é contra as condições de vida a que muitos animais são submetidos, como confinamento em gaiolas e em locais extremamente pequenos.

Estima-se que por ano 70 bilhões de animais sejam mortos para o consumo humano.

Quando um pintinho nasce, ele é separado da sua mãe, assim como o bezerro é separado da vaca. Além disso, os pintinhos machos são mortos por trituração ou asfixia. Já os pintinhos fêmeas têm duração de 2 anos de vida (enquanto poderiam viver 8 anos). As aves têm o bico cortado para evitar o canibalismo, mas é uma região extremamente sensível e gera muita dor.

Os porcos vivem em jaulas de 1 metro de comprimento e não conseguem nem se mexer direito. Ficam assim durante meses.

Já as vacas e bois são castrados sem anestesia e sofrem marcações de ferro.

Muitos consumidores já exigem informações a respeito dos maus tratos de animais e procuram por selos nas embalagens, como é o caso do Certified Humane Brasil.

Assim sendo, a boa notícia é que muitas empresas já vêm adotando medidas que não envolvem sofrimento animal. Como por exemplo é o caso do Pão de Açúcar e Carrefour que vão passar a apenas vender ovos de galinhas poedeiras criadas soltas.

Também já existem técnicas de abate que não causam dor ao animal. O abate acontece quando os animais já estão inconscientes, ou seja, não sofrem dor.

Benefícios para a saúde

O veganismo consiste em uma alimentação pobre em gordura e rica em vitaminas, fibras e minerais. Outro grande benefício é a perda de peso. Algumas pesquisas também apontam a relação entre esta dieta e redução do risco de algumas doenças como obesidade, câncer, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Porém, se você está pensando em se tornar vegano saiba que é importante consumir substâncias como a vitamina B12 por meio da suplementação. Portanto, consulte um nutricionista.

A dieta vegana é saudável desde que seja balanceada. Ou seja, não adianta evitar produtos de origem animal e se entupir de alimentos ultraprocessados, cheios de açúcar, corantes e conservantes. É preciso não consumir as gorduras ruins, mas sim as boas como abacate e azeite de oliva.

Referências

agenciauva.net/2020/12/06/o-efeito-do-veganismo-no-meio-ambiente/

conquistesuavida.com.br/noticia/veganismo-e-meio-ambiente-tem-tudo-a-ver-entenda-como-eles-estao-relacionados_a11467/1

vista-se.com.br/universidade-de-oxford-alimentacao-vegana-e-a-forma-mais-efetiva-de-proteger-o-meio-ambiente/

capricho.abril.com.br/comportamento/veganismo-o-impacto-e-as-consequencias-no-meio-ambiente-e-na-globalizacao/

mercyforanimals.org.br/blog/motivos-vegano-meio-ambiente/

bio2organic.com.br/meio-ambiente/alimentacao-planted-based-vegana-e-o-meio-ambiente/

terra.com.br/noticias/dino/a-cultura-vegana-e-os-beneficios-que-ela-traz-a-sociedade-e-ao-meio-ambiente,649a536cb33532f542747751061e75f8g6dny5qi.html

mundoeducacao.uol.com.br/quimica/consumo-carne-aquecimento-global.htm

politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/agropecuaria-gases-efeito-estufa-anitta/

wribrasil.org.br/noticias/5-perguntas-e-respostas-sobre-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-da-agropecuaria

certifiedhumanebrasil.org/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-sofrimento-animal/

comciencia.br/sofrimento-na-criacao-e-no-abate-de-animais-ainda-e-grande-no-brasil/

brasildefato.com.br/2020/02/10/tortura-de-animais-no-setor-de-alimentos-e-cosmeticos

Matheus Chiabi
Autor:
Matheus Chiabi
Sobre:
Matheus Chiabi, 28 anos, formado em publicidade. Gosta de escrever, fotografia, futebol e cerveja.
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2 Comments

  1. Nutricialmente falando, a dieta brasileira de feijão, arroz, salada e carne é extremamente bem balanceada. Porém, trabalhando com a classe C no botequim do meu pai, observei que a salada era substituída por macarrão e farofa, com menos nutrientes. Além disso, quem come vegetais, como espinafre, para adquirir ferro, precisa consumir junto vitamina C. Essas informações não estão ao alcance dos mais pobres. Daí, podemos concluir que ser vegano é algo ao alcance apenas de uma minoria da elite que quer se destacar como consciente, mas sem fazer nada para mudar seu status.

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